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Quem quiser conferir a décima edição do Fórum Internacional de Software Livre e ainda não se inscreveu, tem que ficar ligado. As inscrições online terminam depois de amanhã, quinta-feira (18/06), e podem ser feitas pelo site do evento. O Fórum acontece semana que vem (24 a 27 de junho) no Centro de Eventos da PUC RS, em Porto Alegre. Comemorando uma década de história, o FISL promete. Na programação, nomes como Richard Stallman (líder fundador do Movimento do Software Livre nos anos 80); John “Maddog” Hall (atual presidente da Linux internacional); o esperado Peter Sunde (cofundador do  The Pirate Bay, polêmico caso que foi a julgamento na Suécia). É, Peter Sunde promete ser a mega atração do evento, com acalorados debates sobre compartilhamento de arquivos na rede, pirataria, novos dispositivos de autoria e tal. Vamos plugar na polêmica e voltar a conversar aqui sobre o tema nos próximos dias.

O evento terá também palestras descentralizadas pela cidade, programação cultural, oficinas gratuitas de capacitação em software livre e o Festival de Cultura Livre (encontro entre usuários, hackers, artistas e produtores culturais em prol de uma sociedade antenada com os conceitos de Cultura Livre). Destaque para a proposta de “desconferência” que abaliza o Festival: não há lista de palestrantes, mas encorajamento à participação ativa de todos, constituindo uma comunicação horizontal e emergente.  

O bafafá que circula em Porto Alegre é a ausência de apoio do poder público para o FISL. Parece que anda prejudicando a infra-estrutura do Fórum. Diz que já se especula a possibilidade do evento migrar para o Paraná. Vanessa Nunes, colunista de tecnologia dos jornais Zero Hora (de POA) e A Notícia (de Joinville-SC), comenta sobre o assunto no seu blog. Segundo ela, Marcelo Branco, coordenador geral da Associação de Software Livre, declarou, em coletiva à imprensa, a dificuldade em manter o Fórum na cidade.   E mais, Roberto Requião já teria demonstrado interesse em oferecer espaço gratuito para o evento no Paraná. Assunto quente para o aniversário de dez anos do FISL. A colunista parte em defesa da importância do Fórum para a cidade e informa que o prefeito José Fogaça tem interesse em negociar com o governo estadual para realizar o Fórum, próximo ano, no Cais do Porto da Capital, na orla do Guaíba, cartão postal dos gaúchos.

Resta saber se o governo terá sensibilidade para a questão. Sabe-se que os ativistas do software livre não andam muito contentes com sua atuação, a julgar pelo tumulto causado pelo acordo que o governo gaúcho assinou com a Microsoft para a área de educação! Não é para menos, com a consciência que as políticas públicas vêm construindo, no país, em torno da adesão ao software livre. É, no mínimo, curioso que uma decisão como essa parta do Estado sede do Fórum internacional do Software Livre. A ironia é tamanha que Vanessa Nunes publicou no seu blog a fotografia, do ano passado, em que a governadora Yeda Crusis (PSDB) posou com o Tux, mascote do Linux. Barbaridade, tchê!

Como diria Vinícius de Moraes, há um vampiro pelas ruas e uma impassível lua cheia, porque hoje é sábado… 

Vamos aproveitar o lirismo do sábado para falar de degustações. Este post é para ler ouvindo Last Tango in Paris, se possível degustando uma taça de vinho. Ontem, sexta-feira à noite, fiz uma massa em casa, regada a música, excelente companhia e, claro, um vinho.  Mais cedo, fui ao supermercado para as compras. A massa escolhida foi o capellini número um, acompanhado de molho de tomate feito em casa, parmesão ralado e cebolinha verde.  Queria um vinho inédito. Adoro a sensação de descobrir um novo vinho: é como desvendar um segredo. E, quando o acaso contribui, melhor ainda. A degustação começa na escolha, com o passear de olhos pela estante de vinhos, as referências, as descrições no rótulo, a safra. Adoro a literatura em torno dos vinhos, o vocabulário dos apreciadores, a narrativa que se constrói para dizer do cheiro, do gosto, da cor. Mas isso é assunto para outro post. Por caso, encontro um amigo na mesma tarefa, escolhendo um vinho para o jantar na prateleira do supermercado. Ficamos fabulando hipóteses e trocando informações, quando ele me indicou o escolhido da noite, o Quinta do Cachão 2004. É um vinho português, da região do Douro, finamente equilibrado e frutado.  É engraçado, morei seis meses em Portugal e conheci o Quinta do Cachão aqui, por indicação do meu amigo. Para quem gosta de vinho harmonioso, eu recomendo. Inclusive porque o preço é muito generoso para a qualidade do vinho. Acompanhou bem o jantar e motivou muitos brindes. A única impressão não tão boa que tive é que ele é tão equilibado, que não surpreende. Gosto de vinhos complexos, que você vai apurando o sabor aos poucos. E na terceira taça ele já é outro. A sensação que tive com o Quinta do Cachão foi de linearidade: foi o mesmo vinho da primeira à última taça. Mas até nisso ele caiu bem para a noite que pedia amenidade, delicadeza.

Para todos um bom sábado e uma saudação dionisíaca, tim-tim.

Enquanto preparo novo tópico para a tese sobre linguagem e novas tecnologias, revisito autores indispensáveis como Pierre Lévy, André Lemos, André Parente, Roger Chartier. É prazeroso me enredar novamente nas polêmicas acerca do hipertexto e da ciberleitura.

Virou lugar-comum dizer que a matriz de leitura das novas tecnologias da comunicação é o hipertexto. Nas margens dessa afirmação, um bocado vaga, arriscam-se diferentes interpretações, umas mais elaboradas, outras nem tanto. Costuma-se desestabilizar a postulação argumentando que o hipertexto precede a internet, e que também no regime do códice acionamos dinâmicas hipertextuais (como as notas de rodapé, que são remissões a outros blocos de texto).  

André Parente, inclusive, considera que o primeiro livro a ser criado em formato de hipertexto foi A Enciclopédia de Diderot e D’ Allambert, no século XVIII. Segundo ele, os dispositivos de recuperação de informação fazem de Enciclopédia um livro-máquina. Entretanto, Parente acredita que a mutação tecnológica transforma, sim, as formas de produção, transmissão e recepção do texto. Para ele, dois principais fatores devem ser examinados com o advento o texto eletrônico: a ubiqüidade e a velocidade.  A atenção ao dispositivo da navegação também aparece no texto de Parente, destacando-o como operação que permite ao leitor partir de qualquer ponto do texto para outros, a depender do percurso que constrói.

Sírio Possenti - notável intelectual e conhecido nos círculos de pesquisa e congressos como portador de declarações polêmicas e nem sempre muito afáveis – publicou um artigo cujo título é Notas um pouco céticas sobre hipertexto e construção de sentido. O artigo é bem escrito, repleto de ironias e de algumas críticas inteligentes. Uma que considero pertinente é que, no afã de desvendar características do navegador de hipertextos, muitas pesquisas resvalam em concepções simplórias de leitura, como se navegar na internet “libertasse” o leitor e potencializasse de tal maneira suas possibilidades que ele se tornaria praticamente imune a toda forma de controle social. Estaríamos retornando às concepções mais idealistas acerca da relação do homem com a linguagem?

 Lembrei de Roland Barthes ( A Aula) quando ele diz que o poder está emboscado em qualquer discurso, mesmo quando este parte de um lugar fora do poder. Mesmo na intimidade mais profunda do sujeito, a língua encontra o poder.  E diz mais: “…a língua deve ser combatida, desviada: não pela mensagem de que ela o instrumento, mas pelo jogo das palavras de que é o teatro.”

Por falar em navegação e literatura, no meu vagar impreciso pela rede, encontrei, por acaso, uma revista interessante sobre literatura e arte. Chama-se “Etcetera“. Ainda estou descobrindo, mas já gostei. Feita por quem gosta, de forma independente do mercado cultural, recursos próprios, colaboração de novos participantes a cada edição, e um painel legal sobre o que se anda fazendo Brasil afora em termos de arte. Vou deixar aqui o link da  da revista. Quem gostar, a partir daí já pode acessar a edição mais recente, deste outono de 2009. É, ciberleitores, navegar é, deliciosamente, (im)preciso.

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Intercom 2009

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As inscrições para a INTERCOM 2009 já estão abertas.  O congresso será em setembro, na cidade de Curitiba, com o tema “Comunicação, Cultura e Educação na Era Digital”. Com mais de 30 anos, a Intercom é marco decisivo na história da pesquisa em Comunicação no Brasil. Basta dizer que, apesar de haver atuação universitária em Comunicação desde os idos anos 40 no país, é apenas com o advento do Intercom, já na década de 80, que esses estudos alcançam legitimação acadêmica. Na apresentação do livro que coordena, Pesquisa em Comunicação no Brasil. Tendências e Perspectivas, José Marques de Melo resgata o significado da luta por autonomia científica que esse campo teórico travou no país, a fim de alcançar seu lugar ao sol nos campi universitários.

O próprio José Marques de Melo (criador da Escola de Comunicação e Artes da USP e atual presidente do Intercom) esteve na linha de frente da batalha. Afastado de sua atividade na USP por perseguição da ditadura, o professor foi um dos organizadores da Intercom, que se originou nas sociedades científicas em torno da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). É curioso também como a memória dessa conquista, por vezes, confunde-se com a história política do país, sobretudo nas batalhas em torno do processo de redemocratização. Por pouco, a Reunião Anual da SBPC, em 1977, que deu origem à Intercom, não foi cancelada por ordem do governo militar. Não fosse a interferência do então Cardeal de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, que abriu as portas da universidade mantida pela Arquidiocese de São Paulo para a reunião dos intelectuais, essa narrativa poderia não ter o mesmo marco histórico.  

Sobre as contribuições do Intercom à história política do país, sobremodo no que concerne à luta pela comunicação democrática, Marques de Melo ressalta relevantes participações, como nas campanhas das Diretas-Já, na luta contra a censura, na defesa dos cursos de comunicação mantidos pelas universidades, no movimento das rádios e tevês comunitárias e na campanha para criar e implantar o conselho nacional de comunicação. Além, é claro, de haver criado uma consciência nacional em torno da pesquisa crítica dos fenômenos sociais da comunicação*.

 

Algumas sugestões bibliográficas para quem quer conhecer melhor essa história:

FARO, José Salvador – A universidade fora de si – A Intercom e a organização dos estudos de comunicação no Brasil , São Paulo, Intercom, 1994.

MELO, José Marques de (Org.). Pesquisa em Comunicação no Brasil. Tendências e Perspectivas. São Paulo: Cortez, 1983.

MOREIRA, S. V. (Org.); PERUZZO, Cicilia M K (Org.) . Intercom 25 anos. 1. ed. São Paulo: Intercom, 2002. v. 1. 132 p.

MOREIRA, S. V. (Org.); LOPES, Maria Immacolata Vassalo de (Org.); MELO, José Marques de (Org.) ; BRAGANÇA, Anibal (Org.) . Pensamento comunicacional brasileiro. 1. ed. São Paulo: Intercom, 2005. v. 1. 280 p.  

                                                                      

Sites consultados:

* As informações colhidas nesse parágrafo foram retiradas do seguinte site: http://www2.metodista.br/unesco/PCLA/revista14/res%20eventos%2014-2.htm

Visite o Cibermemorial Marques de Melo http://www.marquesdemelo.pro.br

http://www.intercom.org.br/congresso/2009/chamada.shtml (a imagem do logo foi obtida neste site)

Oi, você. Depois de cinco ou seis anos, voltei. Agora, além de escrever tese de doutorado, artigos e relatórios de pesquisa, retomo as deleitantes atividades de blogueira.

As palavras não nascem amarradas é um blog  para debater idéias sobre pesquisa em comunicação, através de uma diversidade de abordagens: entrevistas com gente da área, publicação de artigos, notas sobre história das teorias da comunicação, métodos, escolas, pós-graduação, tendências, temáticas e o que mais merecer um post.

Além disso, tem espaço para partilhar outras paixões e dar pitaco sobre literatura, degustações, restaurantes, cotidiano,  jampa,  teatro, filmes, viagens. E, claro, ler o pitaco de vocês também.

Sejam bem-vindos.